Ela não estava em um concurso qualquer. Era a prova digital da VUNESP para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Uma das maiores bancas do país havia finalmente migrado de vez para o modelo online — e a ansiedade, antes restrita ao lápis e à borracha, agora se manifestava em forma de buffering e toques acidentais no touchpad.
— Questão 59 — ela sussurrou, lendo em voz alta para se concentrar. — "Sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), assinale a alternativa que descreve corretamente as competências gerais..." prova digital vunesp
O silêncio da sala parecia amplificado pelos fones de ouvido descartáveis. Ana Lúcia, 34 anos, professora de rede estadual há uma década, encarava a tela do notebook. No centro, um cronômetro digital exibia: . Ela não estava em um concurso qualquer
Suas mãos tremiam levemente. Ela sabia o conteúdo. Estudou por meses com simuladores da própria VUNESP, que usavam machine learning para apontar seus pontos fracos. O sistema até sugeria horários de estudo baseados no seu desempenho anterior. Era inteligente. Impessoal. E impiedoso. — Questão 59 — ela sussurrou, lendo em
— Faltam 10 minutos para o término da segunda parte. Verifique suas respostas — anunciou uma voz sintética, cortando o ar condicionado gelado.
De repente, um pop-up vermelho piscou no canto direito da tela: O coração de Ana disparou. Ela ouviu um suspiro coletivo na sala — outros 40 candidatos no mesmo prédio, provavelmente com o mesmo problema. Foi um segundo de pânico puro. O roteador? A nuvem? A VUNESP?
— Respiramos — murmurou o rapaz ao lado, que ela nunca tinha visto na vida.